Sócrates, com a sua perspicácia, analisava as condições sociais e políticas do seu tempo, contexto no qual emergiram os seus famosos diálogos. Nestes, ele evidenciava uma total consciência da sua posição social e da dos seus interlocutores, refletindo a partir dessa realidade experienciada.
Contudo, ao longo de mais de dois milénios, emergiram filósofos que, ao invés de se focarem na realidade, especularam sobre um futuro hipotético, transformando a realidade numa fantasia teórica, da qual brotaram ideologias responsáveis por incontáveis males ao mundo. Estas ideologias fragmentaram a visão do Homem e da Sociedade, desligando-os dos valores e princípios anteriormente associados à conexão do Homem com Deus, um reflexo do processo de secularização.
O Homem, naturalmente dotado de uma estrutura de adoração na alma, só se realiza plenamente na sua ligação com o Divino. A ruptura intencional dessa ligação pelas ideologias conduziu o Homem a um estado de perdição, procurando adoração em falsos ídolos como o dinheiro, o sexo, entre outros. Isso resultou numa sociedade onde Deus foi substituído pelo Homem, com promessas utópicas de um paraíso terreno.
Neste trajeto, ideologias antagónicas aos preceitos divinos ganharam força, sendo o Comunismo um exemplo. Este, ao reconhecer que a fé liberta o Homem, procurou destruir a estrutura religiosa como seu primeiro objetivo. A perseguição à Igreja e a disseminação da Teologia da Libertação em países comunistas são reflexos dessa estratégia.
Observamos, na modernidade, cosmovisões com o objetivo comum de destruir o Homem integral. No espetro destas visões, temos, de um lado, o Positivismo e o Cientificismo, e do outro, o Sentimentalismo e o Relativismo. Surgem, assim, novas formas de idolatria e novos "deuses".
No Positivismo, figuras como Karl Marx idolatram a razão, baseando-se em previsões históricas erróneas. Marx, por exemplo, falhou ao prever que a revolução surgiria dos grandes países capitalistas e que os trabalhadores se revoltariam contra os patrões capitalistas, o que a história demonstrou ser incorreto.
Por outro lado, o Emocionalismo surgiu em oposição ao racionalismo extremo dos positivistas, substituindo Deus pela emoção ou razão. Tanto o racionalismo quanto o sentimentalismo extremos representam riscos, levando a uma visão distorcida da realidade.
Hegel tentou modificar a realidade através das suas palavras, criando um sistema quase mágico para impor a sua visão de mundo. Esta abordagem esquerdista implica que só é possível compreender Hegel aceitando a sua visão de mundo, excluindo os que a contestam.
Atualmente, enfrentamos o desafio de uma sociedade moldada pelo esquerdismo, onde a realidade é constantemente redefinida. Antes, marxistas tentavam mudar a realidade a partir do modelo económico; hoje, os relativistas (esquerdistas) procuram destruir a cultura e os valores morais para criar um novo homem e uma nova sociedade, alinhados aos objetivos do comunismo (atualmente conhecido como esquerdismo).
Os esquerdistas dominam os meios culturais (música, literatura, ensino), influenciando as nossas emoções. Contudo, os sentimentos são efémeros. A verdadeira unidade provém do espírito, da alma e da nossa ligação com Deus. A ausência dessa ligação deixa-nos cada vez mais perdidos e vazios.





