sábado, 2 de dezembro de 2023

Desmascarando as Ideologias Modernas: O Confronto de Sócrates com a Queda da Sabedoria e Fé


Sócrates, com a sua perspicácia, analisava as condições sociais e políticas do seu tempo, contexto no qual emergiram os seus famosos diálogos. Nestes, ele evidenciava uma total consciência da sua posição social e da dos seus interlocutores, refletindo a partir dessa realidade experienciada.

Contudo, ao longo de mais de dois milénios, emergiram filósofos que, ao invés de se focarem na realidade, especularam sobre um futuro hipotético, transformando a realidade numa fantasia teórica, da qual brotaram ideologias responsáveis por incontáveis males ao mundo. Estas ideologias fragmentaram a visão do Homem e da Sociedade, desligando-os dos valores e princípios anteriormente associados à conexão do Homem com Deus, um reflexo do processo de secularização.

O Homem, naturalmente dotado de uma estrutura de adoração na alma, só se realiza plenamente na sua ligação com o Divino. A ruptura intencional dessa ligação pelas ideologias conduziu o Homem a um estado de perdição, procurando adoração em falsos ídolos como o dinheiro, o sexo, entre outros. Isso resultou numa sociedade onde Deus foi substituído pelo Homem, com promessas utópicas de um paraíso terreno.

Neste trajeto, ideologias antagónicas aos preceitos divinos ganharam força, sendo o Comunismo um exemplo. Este, ao reconhecer que a fé liberta o Homem, procurou destruir a estrutura religiosa como seu primeiro objetivo. A perseguição à Igreja e a disseminação da Teologia da Libertação em países comunistas são reflexos dessa estratégia.

Observamos, na modernidade, cosmovisões com o objetivo comum de destruir o Homem integral. No espetro destas visões, temos, de um lado, o Positivismo e o Cientificismo, e do outro, o Sentimentalismo e o Relativismo. Surgem, assim, novas formas de idolatria e novos "deuses".

No Positivismo, figuras como Karl Marx idolatram a razão, baseando-se em previsões históricas erróneas. Marx, por exemplo, falhou ao prever que a revolução surgiria dos grandes países capitalistas e que os trabalhadores se revoltariam contra os patrões capitalistas, o que a história demonstrou ser incorreto.

Por outro lado, o Emocionalismo surgiu em oposição ao racionalismo extremo dos positivistas, substituindo Deus pela emoção ou razão. Tanto o racionalismo quanto o sentimentalismo extremos representam riscos, levando a uma visão distorcida da realidade.

Hegel tentou modificar a realidade através das suas palavras, criando um sistema quase mágico para impor a sua visão de mundo. Esta abordagem esquerdista implica que só é possível compreender Hegel aceitando a sua visão de mundo, excluindo os que a contestam.

Atualmente, enfrentamos o desafio de uma sociedade moldada pelo esquerdismo, onde a realidade é constantemente redefinida. Antes, marxistas tentavam mudar a realidade a partir do modelo económico; hoje, os relativistas (esquerdistas) procuram destruir a cultura e os valores morais para criar um novo homem e uma nova sociedade, alinhados aos objetivos do comunismo (atualmente conhecido como esquerdismo).

Os esquerdistas dominam os meios culturais (música, literatura, ensino), influenciando as nossas emoções. Contudo, os sentimentos são efémeros. A verdadeira unidade provém do espírito, da alma e da nossa ligação com Deus. A ausência dessa ligação deixa-nos cada vez mais perdidos e vazios.



A Destruição do Eu Completo: A Agenda Marxista e a Queda da Moralidade na Sociedade



Quando existe a perceção da independência entre o Eu e o espaço envolvente, nesse mesmo instante, entendemos que existe algo mais do que o mundo físico. É uma espécie de tomada de consciência sobre uma imortalidade que até hoje não conseguimos explicar apenas olhando o ponto de vista científico.

No exato momento em que essa consciência se dá no interior de nós deixamos de ter fundamento enquanto corpo. Quando nos despojamos do corpo e passamos a estar recetivos a escutar esse mesmo espaço, dá-se o contacto com Deus: existe uma totalidade nesta ligação.
Em termos práticos significa que o nosso “Eu Individual” não consegue existir na sua totalidade sem a ligação espiritual com Deus.
Reparem que usei o “Eu Individual” enquanto demonstração do nosso egoísmo – sentimento integrante do ser humano.
Quero então pressupor que o “Eu” na sua totalidade não estará completo enquanto não conseguirmos eliminar, nem que seja por breves momentos, esta falha. 

Impõe-se então a pergunta: Como podemos ser o “Eu” total e completo? : Quando nos conseguimos conectar com Deus.
Para que se dê essa ligação espiritual é essencial termos uma conduta moral que nos coloque num estado vibracional e nos conduza a um preenchimento que se quer total: estado de consciência humana e espiritual. É nesse momento que percebemos que só existe nós e o Criador, em que tudo o resto à volta é apenas uma ilusão : é o vazio, o nada.
A consciência deste existir abre-nos o acesso ao livro de todas as respostas, ao livro de todas as soluções, de todas as certezas.

Levei 42 anos para entender isto. E neste processo de entendimento entendi também a forma subtil, mas devastadora, que têm usado para nos destruir enquanto sociedade: Destruindo o nosso eu completo.
Uma agenda que ao longo dos anos foi retirando a moralidade e espiritualidade da sociedade.
Uma agenda que desvirtua tudo o que é a nossa essência, tendo somente por objetivo controlar-nos: Destruindo o nosso “Eu Completo.”

Tentarei então explicar como essa destruição foi pensada e criada.
Marx na sua filosofia usou como argumento uma nova ordem mundial liderada pelos trabalhadores (proletariado) contra os opressores de forma a implantar aqui na terra o paraíso: Uma sociedade justa e perfeita.
E como é que ele queria fazer isso? Pelo poder criativo do Mal.
É este o grande problema da filosofia Marxista, é esta a perversão na sua raiz mais absurda: A força do negativo: Faça o mal; produza o mal, use a destruição e daqui advirá algo bom.
Num conflito de vida e de morte surgirá algo superior.

Estas ideias têm a sua base teórica em Hegel. Hegel trouxe para a filosofia o conceito de uma das famosas falas da peça de teatro “Fausto”, em que a personagem de Satanás responde quando lhe perguntam quem és tu: “Eu sou a força do mal que sempre produz a vida.”

O Mal produz vida : é esta a propaganda ontológica de Hegel, que Marx trouxe para a praxis politica: Matar, destruir, hostilizar a civilização, trazer abaixo a ordem e tudo isto irá produzir uma ordem superior.
“Eu amo os pobres, amo a justiça social” é a propaganda que tem levado à hipnotização da sociedade de forma que vivamos num estado de inconsciência total.
O que nos resta é virar todo o nosso foco para saber ler nas entrelinhas o que existe na prática por debaixo de todo esse discurso.

Se usam o discurso de ajuda aos mais necessitados, mas na prática querem destruir as bases civilizacionais, como a moral, a família ou até a destruição biológica com a questão da ideologia de género, temos de entender que tudo isso faz parte da teoria “O mal produz a vida.”

E este discurso está de tal forma enraizado na sociedade que quando alguém se comporta moralmente, assente nos valores da família, é automaticamente ofendido e colocado com diversos tipos de rótulos: É a hostilização e perseguição a tudo o que querem destruir.

Existem, inclusivamente, pequenas sociedades assentes no comunismo em que os bebés não são filhos de ninguém, mas sim filhos de todos. Para este caso usam o argumento de que a criança estará muito mais protegida, mas qualquer pessoa consciente sabe que a ligação de uma criança aos progenitores é fundamental para o desenvolvimento afetivo e psicológico da criança.
Estamos aqui a falar da destruição total.

Como ex-consumidor destas teorias, deixo um alerta: Não compres o produto pela propaganda.
Lê a bula, percebe os efeitos secundários.

Há que aprender a ser um bom Marxista para que se possa rejeitar o Marxismo completamente.

O que podemos objetar quando alguém nos diz que ama os pobres? Não temos nada para objetar, mas se começarmos a escavar perceberemos várias falhas nesse mesmo discurso.
Entendemos a sua negatividade, entendemos o que o seu objetivo final é destruir e criar assim o Novo Homem (como Álvaro Cunhal tantas vezes falou e escreveu).

Começamos a perceber que foram retirando autoridade e disciplina das escolas, usando o que chamam de “pedagogia” para colocar o professor ao mesmo nível dos alunos com o argumento de criarem “espíritos livres”, criando na verdade espíritos perdidos.

Retiraram a disciplina e a moral de uma sociedade, com a desculpa da liberdade de expressão, criando assim o caos completo, desorientação e uma atrofia intelectual e moral. 

Fazem-nos duvidar se um homem é homem ou se é outra coisa qualquer.
Questionamos a Família.
Questionamos a Vida.
Questionamos Tudo.

E o que acontece às nossas vidas quando tudo deixa de fazer sentido? Evoluímos?
Não: suicidamo-nos.


Entre Deus e o Estado: O Fascinante e Controverso Mundo da Direita Política




"A Direita e as Direitas", de Jaime Nogueira Pinto, representa um marco essencial na compreensão da multiplicidade ideológica da direita. A obra oferece uma análise profunda sobre as suas várias facções, refletindo não apenas um conjunto de ideologias, mas também as ideias e teorias de pensadores influentes.

A Direita Revolucionária, frequentemente associada ao Fascismo, caracteriza-se pela busca de um Estado forte e controlador, aspecto que partilha, em certa medida, com o Comunismo. Giovanni Gentile, um destacado teórico fascista, enfatizava que "o Estado é a realidade do indivíduo", sublinhando a centralização estatal em todos os aspetos da vida, inclusive na economia. Paralelamente, o Comunismo de Karl Marx defendia que "a história das lutas de classes" conduz a uma forma de controlo estatal abrangente, embora com objetivos ideológicos diferentes.

Na Direita Populista, destacam-se figuras como Ernesto Laclau, que realçava que "o populismo é compatível com diferentes formas de identificação". Esta visão explica a emergência de movimentos populistas que se opõem às elites e defendem um controlo estatal na economia, assemelhando-se, neste aspeto, tanto ao fascismo quanto ao comunismo.

A Direita Liberal é marcada por pensadores como Friedrich Hayek e Milton Friedman. Hayek, em "O Caminho da Servidão", alertava contra os riscos de um Estado opressor, enquanto Friedman defendia que "a liberdade econômica é um pré-requisito para a liberdade política". Estes autores promoviam mercados menos regulados, contrastando com a intervenção estatal proposta tanto pelo fascismo quanto pelo comunismo. No entanto, é importante salientar que os seus ideais liberais espelham os valores morais da esquerda em temas como aborto, drogas, eutanásia e casamento entre homossexuais.

Edmund Burke, representando a Direita Clássica, defendia a preservação de valores e tradições, considerando a sociedade como um contrato entre gerações. Esta vertente, apesar de aceitar uma economia mista, diferencia-se das anteriores pelo seu enfoque nos valores morais e na ordem social.

Na Direita Conservadora Cristã, a minha escolha pessoal, Russell Kirk oferece uma perspectiva valiosa. Em "The Conservative Mind", ele argumenta a favor da prudência e da tradição, afirmando que "o conservador prefere o demônio conhecido ao demônio desconhecido", refletindo a busca por um equilíbrio entre liberdade, ordem e moralidade cristã. Nesta vertente, a família é vista como a base fundamental da sociedade, o Homem deve auxiliar os necessitados mas também punir os ímpios, e os valores, a moral, a ordem e a justiça baseada no Catolicismo são vistos como pilares unificadores da sociedade.

Esta ampla gama de perspectivas, enriquecida pelas contribuições de diversos pensadores, evidencia que a direita é um espectro político complexo e multifacetado. Cada corrente ideológica da direita contribui de forma única para o debate político, refletindo as nuances e complexidades da sociedade contemporânea.

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sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Idem velle, idem nolle.



Inicío esta reflexão com uma exploração do significado da expressão latina "Idem velle, idem nolle", um preceito que encontrei no estudo da filosofia, em particular nas obras de São Tomás de Aquino. 
Esta máxima, que se traduz por "querer as mesmas coisas, rejeitar as mesmas coisas", transcende a simplicidade de um ditado; representa um princípio de vida que nos guia na procura por afinidades autênticas e valores partilhados. A verdadeira amizade, segundo Santo Tomás de Aquino, reside na harmonia dos desejos e aversões.

Aristóteles, refletindo sobre a amizade, via-a como a base da sociedade política. 
Sem a tendência humana para formar laços com base em objetivos e valores comuns, a organização social e política perderia seu alicerce. 
A amizade, portanto, não é apenas um vínculo emocional, mas um pilar da nossa identidade e da sociedade em que vivemos.

No entanto, quando falhamos em encontrar amigos que ecoem nossos valores intrínsecos, corremos o risco de nos associarmos a grupos que nos oferecem uma amizade distorcida, exigindo em troca a perda da nossa essência e a renúncia dos nossos valores no altar de uma camaradagem ilusória.

A clareza de um ideal de vida e de um plano pessoal é essencial para manter a integridade do nosso ser. 
Sem uma visão clara do eu, tornamo-nos vulneráveis a julgamentos baseados em medos, preconceitos e influências externas, resultando numa profunda desorientação moral. 

A personagem do nosso eu ideal, conectada com o divino, deve ser a única a julgar-nos, pois representa o único critério fiável para, eventualmente, alcançarmos alguma forma de objetividade no autojulgamento. Esta compreensão só é possível através de um estudo dedicado e aprofundado.

Vivemos, muitas vezes, imersos em ideologias que distorcem a realidade. 

Eric Voegelin, ao analisar a situação política, baseava-se na experiência real dos seres humanos na busca pelo conhecimento sobre a própria sociedade. A sua abordagem enfatiza a necessidade de reconduzir conceitos como legitimidade, democracia e direitos humanos à sua origem na experiência real, desafiando a noção de conhecimento abstrato e desvinculado.

A filosofia de Voegelin, seguindo a tradição socrática, argumenta que todo conhecimento é, em essência, autoconhecimento e que o verdadeiro autoconhecimento é, por sua vez, conhecimento autêntico.

Convido-vos a embarcar nesta jornada de descoberta e reflexão profunda. Juntos, podemos explorar os caminhos da verdadeira sabedoria e encontrar clareza em meio à complexidade do nosso mundo.





Entre o Estado Laico e o Estado Religioso: A Dimensão Moral e a Consciência Humana


Num estado laico, o comportamento humano é regulado pelas leis criadas pelo homem, muitas vezes limitadas às consequências tangíveis e imediatas. Embora estas leis sejam fundamentais para a ordem social, elas podem não abordar plenamente a dimensão moral e ética da vida humana.

Por outro lado, num estado orientado pela fé cristã, as acções e decisões são vistas não apenas à luz das leis humanas, mas também através do prisma dos ensinamentos morais e éticos da religião.
Neste caso, a corrupção não será apenas um acto ilegal mas uma violação de um código moral mais profundo, que aborda a integridade e a consciência do indivíduo.

O Livro da Sabedoria ensina-nos que a verdadeira justiça e moralidade vão além da conformidade com a lei. Estão enraizadas numa compreensão mais profunda do nosso dever para com os outros e para com Deus.
"Sabedoria 2:21 - Assim, erraram no conhecimento de Deus e os seus maus raciocínios os mergulharam na corrupção."
Esta passagem reflete sobre como o erro no conhecimento de Deus e o julgamento falho podem levar os homens à corrupção. É uma advertência sobre as consequências de se afastar dos princípios morais e espirituais.
Num estado que abraça os valores católicos, a moralidade é uma bússola que guia não só as ações, mas também o coração e a consciência. Isto cria uma sociedade onde a integridade não é apenas praticada, mas vivida profundamente.
Este diálogo entre o secular e o sagrado é essencial para a formação de uma sociedade que valoriza não apenas a ordem das leis humanas, mas também a bondade intrínseca e a dignidade humana.
Convido-vos a refletir: como podemos, juntos, construir uma sociedade que não só segue as leis, mas que também aspira a uma moralidade mais elevada, enraizada na sabedoria e no amor da nossa tradição católica?

🌟 Bem-vindo à "A Idade dos Porquês"! 🌟


🌟 Bem-vindo à "A Idade dos Porquês"! 🌟


É com grande entusiasmo que abro as portas deste espaço único, dedicado à jornada de exploração dos princípios da direita conservadora clássica e cristã. Aqui, a liberdade intelectual é mais do que um conceito - é a pedra angular de tudo o que fazemos.


Minha própria transformação, de um passado socialista para uma firme convicção conservadora e cristã, é a força motriz por trás desta página. Esta transformação não é apenas pessoal, mas também um convite para você explorar, questionar e entender as diversas perspectivas que compõem nosso mundo.


Neste espaço, partilharei com vocês artigos, reflexões e insights que iluminaram o meu caminho da esquerda para a direita, do socialismo para a fé cristã. Cada publicação é uma oportunidade para nos conectarmos, aprendermos e crescemos juntos.


"A Idade dos Porquês" é mais do que um nome; é um manifesto de curiosidade, compreensão e respeito mútuo. Convido você a se juntar a esta emocionante jornada de exploração intelectual e espiritual. Aqui, cada questão aberta é um convite para descobrir um mundo repleto de conhecimento e fé.


Vamos juntos desbravar este caminho de aprendizado e descoberta! 💭📚✨





Desmascarando as Ideologias Modernas: O Confronto de Sócrates com a Queda da Sabedoria e Fé

Sócrates, com a sua perspicácia, analisava as condições sociais e políticas do seu tempo, contexto no qual emergiram os seus famosos diálogo...